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Quarto Capítulo

por Dady, em 03.12.08

Olá!

Nao era para postar, mas pronto. Juqa nao parou de chatear e aproveitei que foi greve para escrever mais.

Acho que esta fic vai ser um sucesso. E ainda por cima ando a pesquisar coisas sobre Roma e os tempos antigos lá! 8D

É amanhã! +.+

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Chegámos perto do pequeno grupo de iniciantes, tal como nós, que estavam prestes a começar o treino, tal como nós. Faziam uns banais alongamentos enquanto olhavam uns para os outros.
- Parem! Vou explicar o que irão fazer neste primeiro treino. – ordenou Artemis.
Tony estava lá também, mas nem deu pela nossa presença. Artemis explicou, cheio de pormenores, o que iríamos fazer naquele dia. Como era o nosso primeiro treino, era leve, nada de exageros e durezas.
- Joe, Nick, vão fazer 50 flexões e 50 abdominais. Já que não fizeram o aquecimento. Comecem! – mandou Artemis.
- Sim, senhor! – obedecemos.
Fazíamos o exercício enquanto olhávamos para os outros. Eram muito mais fortes e altos que nós, sem margem para dúvidas.
- Joe, como estarão eles? – perguntou Nick.
- Eles?
Sabia do que ele falava, mas fazia-me de desentendido. Para mim, era bastante difícil de suportar aquilo tudo. Cada vez que pensava em tal assunto, a dor atingia-me como uma facada bem forte e aguda que me apunhalava o coração.
- Joe? – assustou-se Nick.
- Diz, Nick. – disse, abanando a cabeça para extrair o pensamento. - Vamos acabar isto rápido.
O treino foi fora do normal. Não estava habituado a fazer tudo aquilo, como os seniors diziam… eu era apenas um rapaz do campo. Um rapaz sem experiência em nada; um rapaz que não sabia enfrentar nada daquela situação; um rapaz que era capaz de morrer em frente a milhares de pessoas, morto por um colega de “turma” ou até mesmo de quarto.
Já era noite. Noite cerrada e muito escura. Olhava para o céu pelas pequenas janelas que os quartos tinham.
- Joe, estás bem? – questionou-me Tony.
- Claro. – respondi.
Nick lia um velho livro de Tony e Tony via o jornal de hoje. Kevin ainda não chegara.
- Boa noite, rapazes. – ouvi uma voz feminina.
- Vénus! Que surpresa! – manifestou-se Tony.
- Vim ver como estão os meus gladiadores preferidos. – gracejou ela.
Não olhara para ela. Não estava com cabeça para quem quer que fosse. Nick e Tony ficaram ao pé dela, falando sobre tudo.
- Que se passa com o Joe? – murmurou Vénus, tendo tendência para eu não ouvir, o que não aconteceu.
- Não sei. Ele diz que está bem. – disse Tony.
- Sabes, Nick?
- Sei, mas não quero falar, por favor!
Ouvi alguém levantar-se e, de seguida, uma mão pousou no meu ombro. Era Vénus, que se sentou ao meu lado, olhando, também, para o céu cinzento.
- Parece que vai chover. – disse Vénus, mas não respondi. – Podes confiar em mim.
- Não se trata de confiança. Trata-se de recordações que não devem ser recordadas.
- Joe, olha para mim. – pediu, levantando o meu queixo. – Eu não te faço mal.
- Aqui toda a gente faz mal uns aos outros. Não há nenhum santo por estes lados! – queixei-me.
- Tem calma!
- Desculpa.
- Eu só te quero ajudar, mas já que não queres… vou embora.
Levantou-se e a passas pequenos seguia em frente. Suspirei e ri-me. Aquilo era tudo birra para eu a chamar e ela voltar atrás.
 - Eu sei que isso tudo é bluff.
- Podes crer que sim, mas tu bem caíste no meu bluff. – riu-se e virou-se para trás.
- Anda cá.
- Com certeza!
- Acho que me podes ajudar, afinal. – informei-a.
- Como? Finalmente me vais contar? – perguntou, esperançosa.
- Não. Mas preciso de um forte abraço, Vénus. – pedi.
- Está bem!
Apertei a sua cintura e pousei a minha cabeça no seu ombro. Ela fez o mesmo, como se nos seguimos a dançar uma valsa.
- Eles dão-se bem. – contou Nick a Tony.
- É… - Tony parecia desapontado e triste.
- Cheguei! – anunciou Kevin.
- Kev! – gritou Nick e logo se agarrou ao irmão.
- É impressão minha ou aqueles dois estão num momento íntimo?
- Ali o Joe estava triste e a Vénus foi lá ver se o punha bem e deu nisto! – amuou Tony.
- Estou a ver que a Vénus é uma mulher bastante concorrida por estes lados. – acusou Kevin.
- Uma das únicas que anda por aqui. Muitos dos homens só a querem por isso mesmo, por ser a única. Outros amam-na de verdade…
Vénus largou-se de mim para ir cumprimentar Kevin e eu segui-a.
- Então, mano? Muito trabalhinho hoje? – perguntei.
 - Podes crer! Foi só o primeiro dia e não parei de polir armas, para além de amanha ter de ir fazer uma. – mostrou cansaço.
- Esse trabalho é terrível. Trabalham-se árduas horas e, por vezes, sem comer nem beber.
- Obrigadinha pela notícia, Vénus! – ripostou Kevin.
- Desculpa.
- São horas de ir, Vénus. – avisou-a Tony.
- Tens razão. Adeus, meninos!
Acenámos e ela foi-se embora. Kevin deitou-se logo na sua “cama”, estava mesmo cansado; Nick ficou a acabar de ler o capítulo 2 do velho livro do Tony; e Tony estava a arranjar-se para ir, também, dormir. Eu, simplesmente, fiquei petrificado a olhar para o céu. Não tinha sono, apenas, dor. Dor que me invadia todo o corpo, não me deixando mexer.
 - Joe, não vens dormir? – perguntou-me Nick, depois de acabar de ler.
- Já vou. – retorqui.
- Oh, anda lá! Já estão todos a dormir…
- Está bem! – ri-me.
Tentei sair dali. Mas não consegui, deu-me uma cãibra e caí estatelado no chão.
- Joe! – gritaram todos.
- Eu estou bem. – menti. Nem psicologicamente nem fisicamente estava bem.
- Anda! – disse Tony pegando-me no braço para me levantar.
- Estás bem? – perguntou Kevin.
- Já disse que sim… podem largar-me agora?
- Vou chamar Vénus. – avisou Tony.
Saiu a correr passando por todos os guardas, deixando-os sem palavras. Vénus chegou segundos depois, ofegante.
- Joe, que aconteceu? – questionou ela, preocupada.
- Nada! Eu estou bem, deixem-me em paz!
 Soltei-me dos braços que em agarravam e esquivei-me para um canto da cela onde me tapei com uns trapos.
- Joe, anda lá. Não faças birrinha!
- Eu estou bem! Parem de me chatear! – gritei, impaciente – por favor… - acrescentei num tom mais calmo.
- Tudo bem. Adeus, meninos. – despediu-se Vénus.
Voltaram todos às suas “camas”, ainda não tirando o olhar de mim. Na verdade, não estava bem. Se não estava fisicamente, quanto mais psicologicamente. As saudades e a preocupação eram demasiadas para conseguir dormir naquela noite.
Peguei num livro de Tony de seu nome “Eneida”, de Virgílio, e comecei a lê-lo.

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publicado às 14:37

Tudo aqui presente é da autoria de Dália Rodrigues. Plágio é crime. Just sayin'...


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